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quarta-feira, 28 de abril de 2010

nascimento da certeza - pricilla camargo diniz

"nascimento da certeza

ventos trouxeram a alegria...
alegria esta que faltava...
faltava porque não conhecia...
não conhecia o homem que amava...
homem, este carinhoso...
homem, este sorridente...
homem, este necessário...
necessário para a minha felicidade...
felicidade que parecia ser inexistente...
e nessa possível inexistência...
em uma agonia eu mergulhava...

mas hoje respiro...
hoje penso em um futuro a dois... que antes era abominável...

e sem ele tudo pára...
nada existe... nem Eu!...

mas o engraçado é que não dependo dele...
eu quero estar proxima...
quero sentir o aroma...
o aroma de certeza...
o aroma de futuro...
o aroma da beleza...

vida que nasce dos nossos pensamentos...
que quer brotar de nós...

vida que me trouxe de presente a leveza e a maravilha de querer estar com ELE"

Otimismo Hipócrita - Pricilla Camargo Diniz

Otimismo Hipócrita
Boca seca...
Olhos sedentos...

Lixo...
Fumaça que se espalha e engasga...
Horror misturado com sujeira...

Cabelo jogado no rosto...

Caminho sem saída...
Passos tortos...
Unhas que rasgam...
Pernas que deixaram de procurar...
Amanhecer distorcido....

Vômito preto...

Segredo?
Esconderijo?
Possibilidade?
Má audição?
Maldição?
Pesadelo?
Ingratidão e não reconhecimento...
Droga podre que não faz efeito...
Ameba enganadora...
Varíola...
Tristeza pisoteada...

Risos descartáveis...
Ideais usados e jogados fora...

Palavras soltas ao vento...

Dedos que apenas seguem os demais...
Pele que resseca...
Hidratante que irrita...

Espirro que não deu certo...
Engano enganado...
Ouvido estourado...
Coração cansado de bater...
Ao enxergar que seus olhos foram dilacerados!

Neste cenário ... o que nos resta é sermos otimistas....
Ehehehehehehehehehehehehehehehehhe.........

Compra e venda de ilusões - pricilla camargo diniz

Nomes...
Quimeras...
Castelos edificados à margem de mim...
Penumbras à volta
Galos a cantar...
Perguntas sem formulações...
Respostas não são dadas...
Peso de alma que levanta

Gelo... frio que me derrete...

Paisagem inventada de paraíso...
Compras que satisfazem qualquer tristeza...

Bichos voam levemente
Sugam sabores do fluído vermelho...
Bebem-no todo
Deixam corpos deitados e deleitados

Precipício magnífico...
Masmorras enfeitadas...

Questionamentos aprisionados dentro de uma caixinha de presente...
Vendas e leilão de sonhos...

Preços diversos... ao gosto do freguês...

Gemidos escondidos através de maquiagem... (mas)
Será que ainda restam gemidos?

terça-feira, 27 de abril de 2010

Portas abertas ... vazio em mim - pricilla camargo diniz

Na imensidão da minha angustia, vejo o muro...
Analiso os ângulos e arestas...
Faço convites sem restrição.... abro portas que não deveriam ser abertas...

Encontro na esquina um vazio que corresponde ao meu reflexo na água,
Água fria , que me refresca no calor sufocante...

Estrelas que sustentam a raiva...
Linhas azuis me impedem de espancar quem eu quero...
Escuto risos...

E na tentativa de estruturar um roteiro saiu isso...

Desesperado - pricilla camargo diniz

Enterrar os cacos...
Escuridão... zombaria...
Meia lua
Grãos caindo
Flores murchando
ELE saindo de mim...
Possuída ...
Vermes ...
Desgaste ...
Pôr favor...
Socorram-me dessas mãos que me perseguem....

O passado dorme no caminho...

Covardia justificável - pricilla camargo diniz

Piadas sem graça...
Delírio momentâneo...
Unhas coloridas
Irritação latente...
Esconderijo em mim...
Amparo legal...
Formas...
Pássaros sobrevoam um lago azul,
A água morna me acalma e me deixa nervosa...
Coragem covarde
Merda que fede...
E as pessoas sempre usam materiais reciclados para a construção de hipocrisia...

Cheiro de nada...
Gosto de nada...
Cor de nada...
Parece coisa de beber e de lavar,
Mas é a inexistência colocada no vazio...
Temperada com um pouco de ilusão
E que resulta em combustão!

Coisa amarela e mole
Que de dentro de mim custa a sair...
E quando saí é um alívio... e uma angustia

Não busco nada... já parei a muito tempo

cadê eu? - pricilla camargo diniz

Cadê eu?

Solta no tempo...
Andando descalça...
Catando latinha...
Brincando de roda...
Sentada no portão...
Bebendo refresco de morango...
Olhando o céu azul...

Pisando na grama...
Rindo e ...
Pensando onde estou...

Abismos no meu eu - pricilla camargo diniz

Olhando a parede rabiscada, vejo símbolos e incógnitas e de repente pinço uma aresta que passa a ser o meu foco principal: uma sombra delineada na parede.

A luz apaga,
Escuro total,
E dentro dessa escuridão, vem a solidão...

A partir daí percebo sons, sons diversos e que ilustram os meus pensamentos.
A dança das palavras, borbulha em mim...

Comunicando com o mundo através de ícones, toma conta de minha alma e percorre um caminho no meu eu, causando volúpias e fantasias.

Chego a vomitar, pois causa um reboliço desastroso que angustia e traz consigo questionamentos: Porque eu? Porque tenho essa necessidade e não passa senão pegar um papel e rabiscar?

Associação - pricilla camargo diniz

Armário e copo
Tinta e papel
Cadeira e rede
Língua e mel
Cabelo e gel
Corredor e passos


Passos no armário
Armário cheio de gel
Cadeira pintada com uma tinta azul...
Língua que passa pelo corredor...
Papel ao vento
Rede que não pesca nada

Angustia atual - pricilla camargo diniz

Angustia atual
Jeito de criança eu queria voltar a ter e
Experimentar a sombra fresca da amoreira...
Queria usar calcinha de neném
Toda cheia de rendinhas coloridas...
Queria poder tropeçar e chorar...
Sentir medo e não ter pressa...
Ver estrelas e tentar pegá-las com a mão...
Gritar e incomodar...
Ficar em silêncio, deitar e ... (...)
Dormir! ...

calafrio - pricilla camargo diniz

Olhos fascinantes,
De brilho sem igual...
Que escondem algum segredo...

Fizeram um calafrio percorrer pelo meu corpo claro...

O que aconteceu, será que sou inconstante?

Vi você e de repente meus olhos não conseguiam desgrudar da sua imagem penetrante....

É lindo...
Tudo tão sem nexo
Tudo de surpresa
Tudo tão colorido
Tudo tão improvisado
Tudo tão surpreendente

Eu roubei a tua luz
Eu roubei para mim...
Eu roubei e não contei para ninguém...

Às vezes me pergunto porque isso acontece comigo,
Fico sem resposta...
Mas eu adoro ser assim, tão dona de mim...

"Confiança para sempre" pricilla camargo diniz

Chaves vão trancafiar a confiança para sempre...
Claustrofóbico... você geme de medo...
Sobe na bicicleta sem motivo...
E força o horror de quem grita ...
Aos pés de anjos, clamam engasgados...
Fratura exposta...
Amargura guardada...
Carne que virou carniça...
Insultos verdadeiros...
Borboletas voam em direção a chuva ...
Pelo menos a chuva é verdadeira!!!! Quando ela cai... ela cai....

Corrida Louca - Pricilla Camargo Diniz


Corrida louca
pricilla camargo

Ouço barulho em minha volta...
Vejo confusão perto...
Risos, estalos, buzinas, piadas
Esses sons dançam em mim...

Pratos que caem...
Ferro contorcido...
Descarga sanitária...
Balões que estouram
Tempestade...
Raios e trovões...
Cadeiras arrastadas
Trânsito parado
Palavrões que ecoam pressa
Suco sugado
Mastigação...
Celular que toca
Falta de emoção

E dentro do barulho
Formo imagens
Pego ouvidos e presilhas...
Amarroto roupas...

Sinto o som do silêncio,
Que é onde vivo em um estado de
CONTEMPLAÇÃO!

Devorar-te-ei - Pricilla Camrgo Diniz

Devorar-te-ei pricilla camargo
Devorar-te-ei de todas as formas...
Através de pensamentos e gestos...
Usando a minha racionalidade...
Usando a poesia que engole...
Usando os céus em minhas mãos...

Pois eu sinto o que vem de você...
E eu descrevo o que você sente...

Fertilidade sensual...
Palavra pecaminosa...
Luxúria...
Sacrifícios...
Espasmos...
Tesão...
Arrepios...

Percussão - Pricilla Camargo Diniz

Sompricilla camargo


Percussão...
Marcando cada respiração...

Pausa! - quebra de ciclo...
Mãos "escrivinham" a melodia...

Cheiro amadeirado...
Percepção de busca...
Percepção de fogo...
Percepção de gozo...
Percepção de nada...

Choro...
Batidas em mim....
Olhos...

Prisão Forçada - Pricilla Camargo Diniz

Prisão forçada pricilla camargo

Cabelo mutante...
Perseguição...
Toque... erosão...

Rebeldia...

Camisa de força sem amarras...
Manicômio sem paredes...

Pessoas em um circular escalafobético...
Sem tempo para novos conhecimentos...

Auto- prisões...

Auto...
Auto... LÁ!

Carro do ano
Roupa da moda

Sinal vermelho... esmola!

Precisa-se de um tostão
Para a conquista da liberdade
já que o Real está tão valorizado...

kkkkkkkkkk

O Jovem e a Floresta - Pricilla Camargo Diniz

O jovem e a floresta
pricilla camargo

Andando na floresta quente e úmida, o jovem percebe o quanto está seguro permanecendo ali...
E enquanto vai andando, vai sentindo onde está pisando...
O jovem sente muito prazer ao dar cada passo, pois sabe que perto dali, está escondida uma maravilhosa e compensadora surpresa...
Na firmeza do seu caminhar, propõe-se a fazer movimentos bem sensuais e ágeis, tão ágeis que chega até a notar que a floresta agradece, como se estivesse contorcendo de tanta volúpia... ele abaixa para sorver o líquido dado pela terra e entrega-se à magia do sabor deixado em sua boca...
Quanto mais vai se aproximando do tesouro escondido, mas a floresta fica satisfeita com ventos que fazem as árvores envolverem-se uma às outras em movimentos de total sensualidade, e proporcionando um barulho que faz lembrar gemidos e sussurros ...

Os olhos do jovem peregrino, brilham ao sentir que está sendo tocado com tanta firmeza e ternura pôr aquela floresta, que encontrou pôr acaso, em um dia comum, em que queria apenas descansar e se divertir.

Começou a dançar conforme a música tocada pelo embalo da brisa e mover-se sem pensar... mal sabia que estava cometendo um crime: provocando tentação naquela floresta que a bastante tempo encontrava- se quieta e sossegada.
Mas a floresta não iria deixar isso barato, desde o 1º momento em que viu o jovem se aproximando, sabia que fim aquele belo e agradável dia teria.
O céu estava muito azul... um azul tão intenso que doía a alma de quem ficava ...

O passo largo do jovem, só aumentava o interesse em prende-lo no meio de suas trepadeiras, pois nunca tinha visto rapaz com tamanho vigor e vitalidade.

A floresta parecia bêbada, e descompassava o ritmo da aurora...
O perfume que o rapaz sentia o deixava inebriado e de repente foi acometido pôr um grande desejo... um desejo de ficar ali, sentindo o aroma da floresta, sentindo sua temperatura e gosto... e bebendo toda sua seiva... e percebeu que a surpresa estava ali na sua frente: era a mensagem que a floresta lhe dava... no encaixe perfeito e na harmonia de dores e gemidos... e descobriu que nunca havia acontecido algo parecido com ele...

E o jovem ficou ali, aproveitando tudo... e em completo êxtase ...